Caminho. Caminho a direito.
Chão amarelo, aresta quase curva de tão direita que é.
Corto um pouco do pé, tirando os pequenos dedos que falta não me fazem, mas caminho ondulante até à parede erguida sobre montes e vales.
Toco-lhe por entre as frestas frias, perdidas por si só, entre a imensidão do lago que nos separa.
Perdida está, perdida de mim. Sangro calmamente do pé cortado mas não o arrasto.
Encosto-me à parede alta, escudo, muro infestado de fendas, de musgo e de plantas.
Fecho os olhos por entre as linhas do meu coração, por entre as veias cinzentas, por entre os bocados de anemia constante que me acompanha.
Sou praticamente água. Sou água, não sou vida.