sexta-feira, 10 de junho de 2011

O coração

Eu teria perfeitamente partido o espelho, dado a minha vida por ti. E as velas, acesas, nas cortinas do meu quarto escuro, se te aquecesse o coração. E gritado, de braços abertos, num grande cemitério se isso te trouxesse de volta à vida. E andado, nú, no meio de uma auto-estrada para que o sangue corresse de novo nas tuas veias. E a morte e a vida, luta interna no teu peito, seriam a minha razão de viver, a minha forma de respirar, os meu olhos abertos para o mundo. Mas o meu coração gelou, na tua presença (ou será falta?), pela falta de oxigénio que tanto lutei por gastar. Nem mais um bater de asas, nem um grande furacão, vão tocar-lhe no local onde o asfixiei e enterrei.

5 comentários:

Rute disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rute disse...

... <3

Teria cordado os dedos, drenado todo o sangue, aberto a garganta e tirado as minhas cordas vocais se fosse preciso. Completamente tudo. Mas nem isso foi sufuciente.

Arranquei por fim o coração e reduzi-o a cinzas. Essas, essas foram espalahas pelo vento e pelo mar. Que espalhem um pouco de um sentimento raro por aí, faz falta um pouco dele no mundo. E a mim, não me faz falta já.

Ana Pena disse...

Já nem é de ti. Que tenho falta.

Ana Pena disse...

(eu ... adorei este post)

Firefly disse...

Obrigado....