segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Amar

A madeira é bela pelo simples facto de o ser. Ela vem de um organismo vivo que, futilmente ou não, é cortado e aproveitado por nós meros humanos deambulantes. Seres erráticos, ideias soltas, passagens etereas pela vida. O que deixamos de sentir, sentindo sempre, torna-se complicado de gerir. O que sentimos é sempre um mal menor em relação ao que queremos sentir. Um passeio pela vida torna-se numa comichão latente, numa dor ardente, por muitas vezes não sabermos amar completamente. Fingimos, tentando aproximar-mo-nos, sentimos tentando afastarmo-nos. Para mim tudo é real, desde que o sinta, e sei muitas vezes o que sinto. Quando tentamos sentir algo que não sentimos o mundo deixa a sua realidade, e constrói-se novamente nos alicerces imberbes de outrém. Ás vezes contemplamos, tão plenamente que custa (re)virar os olhos da plenitude, e mergulhar no mundo cruel que se nos abstém. Porém, recebemos uma noticia dura, uma prenda mal dada, que não sabemos governar. A estas ideias eu digo, quando os olhos se semi-cerram para dormir, "desapareçam".

Vou vos contar um grande segredo sobre mim. Quando não tenho certeza, agarro-me à certeza da incerteza, e os meus pés não fogem. Posso ter medo, posso não saber porque estou aqui, posso não existir em mim, mas tenho a consciência que gosto de ti. Experimentem tentar perceber as cores com que os outros pintam as vidas deles, experimentem dar-se e receber em troca. Experimentem gostar de alguém. Experimentem... amar. Pelo simples facto de amar.

4 comentários:

Rute disse...

=D Sem dúvida, quando me dei sem pensar, sem porques nem explicações. Aconteceu uma supernova em todo o meu ser. Dou graças a não ter racionalizado muito e ter entrelaçado os meus dedos naquela mão e de seguida ter corado e como que se tivesse acordado e as nossas mãos estavam dadas, não havia ali nada a fazer. A partir daquele momento a minha vida mudou.

Devo-te a ti! Merci.

GotchyaYinYang disse...

Só digo uma coisa: fantástico :)

Nuno disse...

Sem interesses... É o melhor que alguém poderia tentar fazer! Mas no mundo em que vivemos, nem sempre é fácil. Nem sempre se encontram as pessoas certas. Então, "ama-se" condicionalmente (com as aspas).

Mas ainda bem que podes fazê-lo =)
Fico contente

Abraços

Ana Pena disse...

bonito texto ... concordo que devemos amar, não uma mas várias pessoas. E acredito que muitas vezes nos damos mais a um amigo com quem conversamos todos os dias no trabalho do que às pessoas que estão connosco de alma e coração. Por isso o que importa é darmo-nos ... não importa a quem?