terça-feira, 27 de setembro de 2011

O relógio

O meu trabalho ao longo destes últimos anos está terminado. Acabo de me aperceber que realmente tenho muita sorte em poder afirmar que sinto. Sinto, e isso é tão mais que suficiente. Foi um trabalho árduo e cuidado ao longo deste tempo, mas sinto. E juntei, calmamente, todas as peças, e construí o meu novo relógio. Tu fizeste a incisão no meu peito, mentiste-me mas abriste a minha carne, e permitiste-me que colocasse tudo de volta onde estava. E tu que me aqueceste a pele, falaste com os meus amigos imaginários e me deixaste como lixo usado que fui nas tuas mãos, deste o impulso suficiente para meter tudo em funcionamento ao jogar-me fora novamente. O relógio não funcionou na ordem correcta do tempo, mas foi mais do que o necessário para os segundos voltarem a contar novamente. Não vou ler entre a linhas, nem nos espaços entre cada segundo. Mas vou contar os minutos e as horas. E se não me apetecer dias que sejam semanas ou meses, mas percebo que não tenho porque esperar. O relógio volta a bater.

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