quarta-feira, 29 de junho de 2011

Dia 9 de Verão (As luzes)

Seguia eu o teu rasto pela noite fora, o meu objectivo marcado a vermelho. Eu ia por ti, buscar-te, abraçar-te, mas olhava pela janela, na direcção contrária, como que a tentar fugir deste jogo do gato e rato. Não conseguia parar de seguir em frente, na tua direcção, como se toda a minha carne protestasse contra a minha cabeça, afastando as flores cheias de pó. E a cada minuto eu me tornava mais impaciente, mais perdido, mais ganancioso. E nunca te cheguei a alcançar, nunca me chegaste a dizer o que sentias, nunca me disseste nada, apenas um sorriso esboçaste. E eu deixei de ver a tua estrela nessa noite, e acordei na escuridão mesmo apesar do Sol lá fora estar forte como todos estes dias de verão, quando estou só, quando preciso de estar só. E construirei então o puzzle, em volta ao meu coração, só com o toque para me guiar, mas como pode a escuridão saber-me tão azeda? A escuridão em que eu me sentia em casa... A escuridão onde eu gritei por ti.

2 comentários:

Ivete disse...

Bonito! Mas triste :((

Ianê Mello disse...

Muito bonito o poema.
Linda canção!

Um abraço.