domingo, 26 de julho de 2009

Murmúrio de ritmos que fazem doer

Tudo começa sempre com uma frase dita por alguém, uma palavra, um pensamento, um sentimento, uma lembrança ou um sonho. Tudo começa a fluir de forma irregular como se de um líquido se trata-se. Na verdade nunca lhe dou forma, pois ele, como qualquer liquido, toma a forma do recipiente onde está. Desta forma permito-me partilhar o que quero, na forma que melhor sei, sendo que cada pessoa que tenha contacto com ele lhe dá a forma que quer. Umas vezes estes fluidos transmitem coisas erradas, outras certas, mas a verdade apenas está em quem as quer perceber.
Os jogos assim não são para mim, pelos vistos, porque me ferem. Ainda estou longe de perceber exactamente os pontos fulcrais, mas sinto-lhes o cheiro a sandalo bem perto de mim. A realidade objectiva de quem não quer ver, de quem se perde rodeado de mar, de quem toca na pele de outro animal. As mentiras brancas voam na direcção oposta a esta realidade, e as nuvens negras apoderam-se sempre nos mesmos instantes. Mas parece que continuo a jogar o jogo, como se o tempo tivesse parado na minha dimensão perpétua, sentindo o que sempre senti.
A ideia de escrever um texto seria o desabafo, no entanto, a filosofia por detrás dos pensamentos que me levam a escreve-lo escorrem pelos meus dedos. Um coração numa boneca que dá luz, um pontapé no ar, um escovar de dentes expressionista, um gato a olhar, uma câmara a fotografar e eu a continuar a não ver. Murmúrio de ritmos que fazem doer.

3 comentários:

Rute disse...

Why we see the world in same way?

Firefly disse...

Because we share the same vision... <3

love you

GotchyaYinYang disse...

Lindo Firefly. Este texto está fantástico!