domingo, 19 de agosto de 2007

Eu sou uma ilusão

Enquanto estava sentado numa mesa normalissima de café, as pessoas em meu redor falavam. Mas falavam e continuavam a falar. As ondas sonoras saiam das suas bocas, colidiam umas com as outras, e criavam padrões complexos em meu redor. Eu, ilusão do mundo, apreciava a mistura das ondas, com os raios de luz coloridos que se espelhavam na mesa e chávenas, enquanto as caretas pessoais dos intervenientes se modificavam. O diálogo estava a ser partilhado pelo meu ser, eu lembro-me de ter acenado e dito que sim a uma ou outra questão, provavelmente irrelevante. Decidi sintonizar-me na mesma frequência de onda, e as barbaridades eram de tal forma enormes, que dei um solavanco na cadeira onde estava confortavelmente instalado, descalço. Ligação à terra foi necessário para me abstrair novamente de tal limitação imperdoável, de quem apenas consegue ver preconceito, extremismo e novidades alheias. Pensei que mergulhava num outro mundo enquanto acenava com a cabeça mal um som semelhante ao meu nome tremia nos meus ouvidos. Sorria e... talvez apenas sorri. Vivo noutro mundo distante deste. O poder sufocante da realidade em que estava inserido tornou-se irreal. E finalmente, agora distante de tudo, percebi que a realidade onde estava não está tão longe da minha como inicialmente pensei. Para mim até os prédios andam e moldam-se em meu redor. Para eles um inicio do nada parece erguer uma casa criada. Mas cada interveniente no nosso mundo encontra-se preso ao seu próprio mundo. E se um dia pensei que afinal me aproximava mais da realidade, desculpa, mas aproximo-me tanto quanto qualquer outra pessoa. E se no meu egocentrismo revelava padrões mais rectos de existência, ele flutua como as ondas, que teimam em não me deixar aproximar da costa, para sempre vaguear no mar.

Um comentário:

Nuno disse...

És estranho... Mas em relação às conversa, percebo-te perfeitamente =P

Um abraço ;)