sexta-feira, 11 de maio de 2007

Titulo imaginário

- Olá
- Olá
- Conheço-te?
- Claro.
- Faz me um esboço de quem és, pode ser que assim eu me lembre.
- Imagina-me, desenha, e verás.

Quando as coisas correm desta forma nós nunca pensamos muito bem. Nós não sabemos avaliar bem a nossa situação, especialmente quando o lugar onde nos encontramos não tem muita luz. Quando os sonhos que temos são com lobisomens. Quando perdemos a luz que nos guiava até então. Quando nos encontramos sem pais. Quando ninguem, afinal, conhece a velocidade do nosso coração.

Podes me culpar a mim. Deixa a tua culpa fluir. Fui eu que te atormentou. Fui eu que me atormentei. Eu mereci. Não penses no que fizeste. Finge que é este o som que me faz sentir. Força-me. Não te culpes. Culpa me a mim, e voa. Ninguém te pode parar agora. Que estamos sozinhos.

As nódoas que se encontram nos meus lençois. Quem sou eu? Que nódoas são estas na minha alma? Filmes românticos deixam-me assim, em baixo, chorando, olhando para dentro. Preocupa-me o coração, a cabeça, o olhar, o deixar e toda esta treta de principe sapo e princesa que o beija e o transforma.

Força. Não me deixes aqui. Quero ir contigo, contigo. Mesmo sabendo o que queres de mim. Não quero mais nada de ti. Quero que te libertes comigo. Pois eu não existo para mais nada. Para a tua libertação. Força-me com mais força. Bate-me. Estou aqui para ti. E para o outro. E também para ti. E para mais seis se for preciso. Deixem-me a um canto.

O que sou eu afinal? Maravilhosamente aqui colocado, num canto, chorando por tudo o que vivi. Por tudo o que senti. Por tudo o que quis. Por tudo o que quiseram de mim. Sentindo a noite a começar e separar-me dos vivos. Acredito que todos os sonhos são importantes. Mas encontrar as palavras certas para me fazer sentir bem, onde estão elas? Tudo o que não consigo ignorar.

Joga com os meus medos. Faz me sentir mal. Faz te sentir bem? Faz me entender a lição. Assim não te perderás de novo. Antes eu aqui no chão, e tu ai. Sozinho depois de ser usado. Já não tens fantasmas? Viste-me enquanto te interessou. Isso importa mais que tudo. Eu posso fugir para sempre. Culpa-me a mim. Eu é que sou o maluco.

Perdi-te na minha imensidão. Pensei que te tinha, e afinal tenho-me. Quanto mais tenho que descer. Que mais me posso fazer? Devo sentir como penso? Não olhar para baixo. As paredes afinal sempre foram reais. Usa-me. Todos os dias.

"Though I patiently waited bedside, for the death of today."

2 comentários:

Ana Pena disse...

This post scared me...

É esquizofrénico, caótico, intrusivo e expulsivo ao mesmo tempo ... e melancólico.

Perturbou-me.
Muito bom (lol)

Kiss*

Firefly disse...

LOLOL Pois, eu acredito em ti LOL