domingo, 11 de março de 2012
Sonho de quem serei.
O mundo continua a ser tão pequeno que me cabe na palma da mão. Tudo o que eu quero ser parece longe e impossível, com apenas alguns laivos momentâneos de luz sobre a minha pele. E sobre a tua, que se nota distante ao toque, calamidade de décadas passadas onde te perdeste de ti? A cicatriz, que o tempo não desvanece, continua protuberante e, dolorosamente, grita pela tua para se acalmar. Num resquício de amargura sabe-me doce tal pensamento, tal prazer bioquímico que me acalma, tal toxina que me mata. Mas olhando para trás vejo que quem tomou a decisão da abstinência fui eu. Somente eu. E eu sou assim, fragmento de mim, vestígio de quem fui, sonho de quem serei.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
O vazio
Os nervos que me sentem e entendem. Os nervos que me controlam e destroem. São eles que me mostram o que vai ser de mim. São eles que me falam e explicam como a minha coluna vertebral está fracturada, a minha espinal medula rasgada. E a faísca acende momentaneamente, os nervos querem-se. E eu acendo e apago, e não me mantenho sóbrio, acendo e apago, acendo e apago. O espasmo das minhas costas é mais que suficiente para parecer vivo, e as minhas mãos cravam-se no chão para abrir mais um buraco. E tudo o que sinto é como um cordão umbilical, cortado cedo de mais, na minha vista ensanguentada. As luzes piscam rápido, as imagens não são contidas em mim, as caras são desconhecidas, e tudo o que digo não tem sentido, não tem significado. E tudo o que leio não fica, e o teu lugar debaixo da minha pele é como um fungo que se espalha, e eu arranho-me, e eu corto-me, e eu não me conheço. Mas ninguém me conhece como eu próprio sei me conhecer. E o vazio está ocupado em mim. O vazio está ocupado.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Fatalidade
A fatalidade do meu ponto de vista é guardada dentro de mim, polvilhada com dourados e prateados para que o negro que a consome não salte à vista. A fatalidade é trancada cá dentro, pelo medo de se expôr a ela própria e de cair nas mãos erradas uma vez mais. A semente germina como sempre germinou, a ideia foi plantada. Não há nada mais perigoso que plantarmos uma ideia dentro de nós e acreditarmos nela com todo o nosso ser. Ficas guardada semente, cotilédones do meu ser, até que a luz te mate.
sábado, 14 de janeiro de 2012
Amar
Um dos meus maiores medos é o pleno esquecimento da manifestação física das pessoas que amo. Nunca fui uma pessoa com boa memória visual, mas sempre me recordarei de como elas me fazem sentir. E sonhei contigo. Sonhei contigo e tudo o que foste e és para mim não se apagou com os anos. O sonho foi apenas uma conversa, uma longa conversa, um longo diálogo em que me mostraste, uma vez mais, que a minha forma de sentir é apenas minha. E sem medos, sem pensar duas vezes, devo amar como sei amar, não quererias que eu fosse outra pessoa, que devo querer como quero e ter orgulho nisso. Não nos devemos preocupar como os outros nos amam, porque a a forma como cada um ama e sente é perfeita em si mesma, porque somos mundos dentro de nós mesmos. E eu não sou excepção. Obrigado por ocupares os meus sonhos e mostrares o orgulho que tens em mim...
domingo, 8 de janeiro de 2012
Monstros
Eu disse-te, esta noite fico eu com os teus monstros. Esta noite não quero que tenhas medo de adormecer, não quero que tenhas medo do escuro, não quero que abraces o frio. Esta noite eu trato deles, junto-os aos meus próprios pesadelos, aos que vivem debaixo da minha cama, dentro da minha cabeça, a bater com o meu coração. Esta noite não quero que te sintas só, quero que sintas que alguém trata de ti, para variar. Esta noite os nossos monstros estarão juntos, e eu não tenho medo deles, nem eles de mim. Eu sei que o farias também por mim.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
O ritmo
Devia manter-me calado, mas agora mesmo era o teu corpo suado contra o meu, num canto escuro, com música tribal, tambores, e os nossos corpos misturando-se com a música,
apenas nós dois,
e o ritmo do teu cheiro na minha barba,
e o ritmo das minhas mãos no teu corpo,
e o ritmo dos teus braços à minha volta,
e o ritmo dos meus olhos nos teus,
o ritmo do teu coração...
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Yellow Halo
One Thing
You Said
You wanted to fly
A silk red kite
Or on arrows
To the moon
Wearing all white
One day
One year
The seasons come
The moon still here
Dawn breaks endlessly
Wake up tell me
What are you dreaming
Yellow halo
All your colours
Yellow halo
For a queen
Yellow halo
All your colours
Bequeathed
Yellow halo
You Said
You wanted to fly
A silk red kite
Or on arrows
To the moon
Wearing all white
One day
One year
The seasons come
The moon still here
Dawn breaks endlessly
Wake up tell me
What are you dreaming
Yellow halo
All your colours
Yellow halo
For a queen
Yellow halo
All your colours
Bequeathed
Yellow halo
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